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No pé da escada

“Achava curioso as veias da mão dela saltadas e um ferimento de uma agulha que ela carregava há anos”

Ela já estava magrinha e os cabelinhos brancos. A gente costumava a conversar sempre. Lembro quando pegava uma caixa antiga dela cheia de papéis e fotos, e ela me contava a história de cada um: da irmã, do irmão, dos outros netos, dos sobrinhos. Eram fotos coloridas a canetinha ou então preto e branco.

Um dia nós estávamos sentada na escada de fora de casa. Ela era pequenininha e eu, com oito anos, já estava ficando maior que ela. Com os óculos bifocal, redondos, dava para perceber que era uma octogenária. Achava curioso as veias da mão dela saltadas e um ferimento de uma agulha que ela carregava há anos.

– Vó, me conta a história de quando a senhora conheceu o vô. – Pedi enquanto estava sentada ao lado dela na escada.

– Ele era muito bonito. Tinha um bigode bem feitinho e gostava de andar de terno e chapéu. – Ela disse saudosa. – Lembro que todas as moças viravam o rosto quando ele passava na praça. – E então imaginei os vestidos e cabelos dos anos 30. – Elas morriam de inveja porque eu namorava ele. – Ela disse com uma ponta de convencimento que me fez sorrir.

O meu pai passou pela gente e dei licença para ele passar.

– Fofocando, hein? – Ele disse brincalhão.

***

A escada ainda existe, a conversa não mais, mas ela ainda existe viva na minha memória.

Ontem vi a foto do meu avô na lápide… é vovó, a senhora não estava errada, ele era um rapaz bonito…

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Ideias + Dedos + Teclado + Word = Engarrafamento de Pensamentos

Basicamente tem sido a história da minha vida nos últimos tempos. Posso dizer que nunca fui uma criança muito criativa, mas a minha imaginação era por si. Quantas vezes (lembrei-me disso agora!) eu desligava a TV, corria para o quarto e abria e fechava gavetas, mexia em papéis amarelados, como se eu fizesse parte de algum grupo prestes a fazer a maior descoberta do mundo, ou até acabar com uma “máfia”. Aos seis anos, meu sonho era derrotar o chefão do Sonic, vulgo Dr. Robotinik, e até imaginava acabar com a “indústria” dele ao lado do Sonic. Sim, isso é verdade.

Mas então a gente cresce.

Comecei a ler diversos livros, não aqueles modinha, não me julguem, mas não li “Crepúsculo”, por exemplo, as histórias de grandes escritores sempre me chamaram mais atenção, como José de Alencar e Jane Austen.

Foi escrevendo fanfictions, melhorando aos poucos, mesmo que lentamente, tive a coragem de criar meus próprios personagens. Mas, personagens aos 15 anos? Sem uma única experiência? Abandonei.

Recentemente, a minha personagem adolescente me pegou novamente, mudei um pouco e botei ela em uma radionovela da faculdade. Não sei quando eu ouvirei a voz dela, mas também de outros personagens que eu criei “na marra” da minha mente, que comecei a ter zilhões de ideias. De certa forma, agiram como um “empurrão” para criar duas novas histórias, pelo menos (adivinhem: paradas).

Algumas pessoas dizem que as personagens que escrevemos são um pouco do nosso alter-ego, às vezes eu não acho isso. Confesso que quando se escreve uma fanfiction, você tem um caráter pré-feito da personagem, na qual te permite fazer o mínimo de mudança. Já em uma história isso é totalmente diferente.

Quando “criei”, “dei nomes”, “comida” e “linhas” para as personagens criadas por mim, não pensei nas minha personalidade, pode ter um pouco, claro, afinal nasceram da minha cabeça, mas sim em algo que eu gostaria de ter vivido. É isso, eu escrevo aventuras, histórias de amor, das quais eu gostaria de viver.

Mas eu quero viver tanta coisa… Pois é, tenho que organizar em um bloquinho meus pensamentos.